Clipping
Plebiscito para maconha
Data: 31/07/2010
Veículo: JORNAL DE BRASILIA - DF
Editoria: ELEIÇÕES E POLÍTICA
Assunto principal: POLITICA
Tamanho
da fonte
A - A +
Candidata do PV diz ser contra a legalização, mas propõe que se decida no voto

Em campanha em Natal, a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, dividiu as atenções dos potiguares com a Marcha pela Maconha na capital do Rio Grande do Norte. Pela manhã, Marina deu entrevistas a duas emissoras de rádio e defendeu um plebiscito para discutir a legalização da maconha. "Não podemos resolver isso (legalização da droga) sem um grande debate", argumentou.

A candidata disse que respeita as opiniões do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do deputado Fernando Gabeira (PVRJ), que são favoráveis à legalização, mas assim como na questão do casamento gay, ela é contra. No entanto, ela espera que a questão seja levada à sociedade. "Eu nunca tive nenhuma atitude de discriminação", afirmou. Marina disse que sua candidatura conseguiu se impor no cenário eleitoral e que acabou o plebiscito entre PT e PSDB.

Para a candidata o desafio agora é acabar com a baixaria de acusações entre seus adversários. "Eu não estou me deixando pautar pelo jogo do vale-tudo", garantiu. Ela voltou a criticar as acusações do vice do presidenciável José Serra, deputado Índio da Costa (DEMRJ), que recentemente afirmou que o PT tem relação com as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc).

Marina disse que falta a Índio maturidade e quilometragem política. "O vice do Serra às vezes extrapola", criticou. "Essa história de dizer que o PT e Dilma têm ligações com as Farc, eu discordo. Estive no PT por 30 anos e nunca tivemos nenhuma ligação com segmentos desse tipo. Eu discordo de Dilma e de Serra por outras razões, mas acho os dois pessoas de bem", disse.

LAVAR PRATO

Marina disse esperar de seus adversários uma postura de respeito à legislação eleitoral e que, após as multas da Justiça Eleitoral, que não haja mais infrações. Para ela, Dilma e Serra colecionam multas porque suas candidaturas têm estrutura financeira para pagar as multas. "Eu ia lavar prato pelo resto da vida se fosse multada toda semana", afirmou.

Se eleita, a candidata disse que não discriminará governos de oposição ao seu partido por acreditar que isso representa um pensamento mesquinho. "Essa é a política pequena", concluiu. Num discurso voltado para os nordestinos, a candidata verde defendeu mais investimento em educação (principalmente o combate ao analfabetismo), saúde (com foco na luta contra a mortalidade infantil), segurança (destacou a violência doméstica) e manutenção do Bolsa Família, rechaçando a ideia de programa assistencialista. "Só chama de assistencialista quem não sabe o que é passar fome", rebateu Marina durante entrevista à Rádio 96 FM.

A candidata do PV também abordou o investimento em obras de infraestrutura, uma vez que o estado receberá jogos da Copa do Mundo de 2014. Marina disse que quer ir além do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o qual chamou de sistema de gerenciamento de obras. "No governo do Fernando Henrique Cardoso nem tinha isso", cutucou.

Assessores exonerados

A campanha da candidata a presidente Marina Silva (PV) anunciou ontem, em nota, a exoneração da assessora parlamentar Jane Maria Villas Boas. A funcionária do Senado participou na quinta-feira de um ato com religiosos em Bauru (SP), evento que fazia parte da agenda oficial da candidata. Além de Jane, o assessor Pedro Ivo de Souza Batista foi exonerado preventivamente.

O comunicado, assinado pelo coordenador da campanha, João Paulo Capobianco, diz que Jane e Batista estão em período de recesso parlamentar (que começou dia 17 e vai até segunda-feira), o que libera a participação deles em qualquer outra atividade, "inclusive as de cunho político-eleitoral".

Embora Batista não estivesse no evento de Bauru, a coordenação da campanha optou por antecipar a exoneração do Senado. "Apesar de ambos estarem, portanto, em condição regular do ponto de vista funcional e legal, os dois servidores serão exonerados imediatamente", assinala a nota. No entanto, a assessoria da campanha explica que o pedido de exoneração dos funcionários já havia sido providenciado anteriormente, mas ainda não teria sido publicado no Diário Oficial.

DEDICAÇÃO À CAMPANHA

O comunicado diz também que Marina se licenciou de funções no Senado para não "misturar seu mandato parlamentar com atividades partidárias" e que a senadora exonerou em junho os assessores parlamentares Bazileu Alves Margarido e Carlos Antônio Rocha Vicente para que eles se dedicassem à campanha eleitoral. Assim como Margarido e Vicente, Jane e Batista vão se dedicar à campanha. Procurada pela reportagem, Jane não respondeu às ligações.

Ontem, Marina Silva fez uma pelestra na Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Ela defendeu uma gestão de educação integrada e lembrou que enquanto o Brasil gasta R$ 1,114 mil por aluno/ano, o Chile gasta R$ 2 mil. "O Brasil está 30 anos atrás do Chile", destacou.

Sobre os projetos sociais, Marina prometeu ampliar o Bolsa Família e promover a integração produtiva. "Vamos manter o Bolsa Família, mas a ideia é avançar mais proporcionando uma maior igualdade de oportunidade entre os brasileiros", completou.

SAIBA +

Marina rebateu críticos que afirmam que um governo verde não investirá em obras, dizendo que se pode fazer investimentos sem destruir a natureza.

Num possível governo verde, ela defendeu o corte de gastos e o fim do festival de cargos comissionados.

A candidata disse se espelhar no modelo de transparência na divulgação dos gastos implementada pelo presidente americano Barack Obama.