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Fé no eleitorado cativo
Data: 31/07/2010
Veículo: JORNAL DE BRASILIA - DF
Editoria: ELEIÇÕES E POLÍTICA
Jornalista(s): Isabel Paz e Natasha Dal Molin
Assunto principal: ASSUNTOS DO DF
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Ex-governador e assessores já comemoram a eleição de forma antecipada

Isabel Paz e Natasha Dal Molin

O exgovernador Joaquim Roriz (PSC) já está em clima de vitória - e em primeiro turno. Após ser informado sobre as recentes pesquisas de intenção de voto que o apontam como favorito com uma distância larga do segundo colocado, o petista Agnelo Queiroz, Roriz está exalando confiança em ocupar o GDF pela quinta vez.

Fora da vida pública por alguns meses e apontado em envolvimento de atos ilícitos - que o fizeram renunciar ao mandato de senador em 2007 - Roriz mantém seu eleitorado cativo. Há 64 dias da eleição, pesquisas de opinião pública apresentam um crescimento significativo em sua campanha. Segundo dados informados nesta semana pelo Grupo Bandeirantes, em parceria com a Vox Populi, Roriz lidera a corrida para o GDF com 46% dos votos. Agnelo aparece com 25%.

"Esse é o peso do que ele já fez", disse Jofran Frejat (PR), candidato a vice-governador na coligação Espe rança Renovada, encabeçada por Roriz. Um pouco mais cauteloso e sem contar com a vitória antes do tempo, Frejat considerou que os programas assistenciais e a política de moradias implementada por Roriz - focada na distribuição de lotes - foram fundamentais para o reconhecimento do eleitorado.

Com a proposta de manter a mesma política que o elegeu por quatro mandatos com atenção voltada para a população carente do DF, visando investir em infraestrutura básica e assistência social no seu plano de governo, Roriz mantém discrição e pouco faz corpo a corpo. "Ele é conhecido pela população. Agnelo vai às ruas e luta para se apresentar e pelo menos ir para o segundo turno", analisou o Alexandre Bandeira, consultor de Marketing.

Mantendo o mesmo ritmo de campanha, com a estratégia de inaugurar dois comitês políticos por dia, Roriz pretende aumentar a diferença entre o segundo colocado e avisa que a disputa será encerrada na primeira votação. "O governador (Roriz) está convencido de que ganhará a eleição em primeiro turno", disse Paulo Fona, coordenador de Comunicação da sua campanha.

ESPERANÇA DE CRESCIMENTO

Embora sejam expressivos, os novos números não abalaram a coligação Um Novo Caminho. Um grupo técnico contratado para verificar a simpatia de Agnelo e seu vice, Tadeu Filippelli (PMDB), com o eleitor, garante que quando comparado, o crescimento de Agnelo supera os índices apresentados por Roriz. Segundo a chapa petista, "Roriz está no teto máximo", sem possibilidade de evolução.

Esse raciocínio é feito porque o índice de rejeição ao ex-governador é elevado, tendo sido 42,1%, o mais alto número divulgado, em pesquisa do Instituto Exata. "Estamos bem posicionados, em harmonia com a composição, e ganhando cada vez mais adesão. Essa é a melhor pesquisa", avaliou Agnelo.

Ao contrário de Roriz principal, Agnelo está em ritmo acelerado de campanha, visitando duas regiões administrativas por dia e em intenso contato com a população. "Temos sido muito bem recebidos, inclusive em locais em que os eleitores eram apoiadores históricos de Roriz. A população aposta na mudança", afirma o candidato petista.

Resultados diferentes

As pesquisas de intenção de votos que vêm sendo divulgadas desde o início oficial da campanha, no dia 6 de julho, apresentam disparidades entre si. Embora tenham sido realizadas em períodos de tempo próximos, os institutos trouxeram dados da diferença entre os dois principais candidatos, Agnelo Queiroz (PT) e Joaquim Roriz (PSC), de mais do que o dobro de um instituto para outro.

No levantamento do Datafolha, por exemplo, realizado de 20 a 23 de julho, Agnelo aparece com 14 pontos percentuais a menos do que Roriz. Teria 27% das intenções de votos contra 40% do ex-governador. Já na pesquisa do Instituto O&P, a diferença entre os dois é de apenas seis pontos percentuais, sendo 37% das intenções de votos para Roriz e 31% para Agnelo.

O cientista político Danilo Silvestre alerta que é necessário observar a margem de erro de cada pesquisa. Esse dado é estabelecido levando em consideração o número de entrevistados: quanto mais pessoas são consultadas, menor é a margem de erro. O especialista explica que o levantamento do Datafolha, por exemplo, trazia a margem de erro de quatro pontos percentuais. "Ela trouxe uma diferença em relação aos levantamentos anteriores que, se aplicada a margem de erro, acaba desaparecendo, ficando as pesquisas com resultados muito próximos", avalia.

Outro aspecto a ser observado é o período da análise. "A pesquisa reflete o momento em que o levantamento foi feito", afirma. O especialista destaca que, embora existam as diferenças, a maior parte das pesquisas são confiáveis, pois utilizam métodos científicos. Ele ressalta ainda que tanto os institutos locais quanto os nacionais são bastante exigentes. "As pesquisas ainda são registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE)", acrescenta.

A forma da coleta de dados, diz Silvestre, não interfere significativamente no resultado. Nem a divulgação dos resultados. Ele salienta que os eleitores, que se baseiam em outros aspectos na hora de decidir o voto. (N.D.M.)

AGENDA

Joaquim Roriz (PSC) Inauguração do comitê do candidato Alberto Fraga e comício no Recanto das Emas.

Agnelo Queiroz (PT) Almoço na Expansão do Setor O, em Ceilândia, caminhada no comércio e chá da tarde com lideranças locais.

SAIBA +

A última pesquisa do Ibope comprova o favoritismo de Joaquim Roriz nas urnas.

Segundo o instituto de pesquisa, Roriz mantém 38% da intenção de votos. Agnelo aparece em segundo lugar com 27%.