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O desafio dos educadores V (Antônio Luiz Bianchessi) (Artigo)
Data: 05/05/2008
Veículo: JORNAL DO BRASIL - RJ
Editoria: PAÍS
Assunto principal: OUTROS
Antônio Luiz Bianchessi

filósofo e educador

Odesafio das mudanças educacionais enfrenta dinamismos beligerantes, que labutam pela preservação do sistema existente.

Apesar dos avanços tecnológicos, a educação sobrevive alimentada por uma filosofia embasada, sobretudo, nos fantasmas do medo, do poder fantasioso, da culpa, da superproteção, da imposição, da valorização dos limites impostos, da dúvida, da dívida, da incapacitação para alçar vôos libertadores, etc.

Conclama-se a área educacional para atitudes severas na observância dos limites. Entende-se que a ampliação da abrangência dos limites impostos seja o prenúncio de aperfeiçoamento da convivência humana e de solução de conflitos.

Os paradigmas externos permanecem modelos acessíveis e mantenedores da ordem almejada pelos conservadores, tradicionalistas, fundamentalistas, falsos modernistas, gananciosos pelo poder, etc.

A verticalidade educacional é um sistema restritivo e bloqueador das potencialidades. E o sistema quando rijo, arrogante e impositivo, pode tornar o ser humano embrutecido, estacionário e involutivo.

Há situações onde o relacionamento "moderno de irmãos" divulga características da Idade das cavernas.

É doloroso conscientizar-se da fortuna consumida com armamento atômico. É estarrecedor visualizar a vibração de muitos pelo extermínio de milhares de inocentes nos campos de batalha, em guerra fratricida.

A lista das calamidades nacionais e internacionais parece interminável. Salientamos, apenas, "crimes" modernos, que abalam as estruturas, como: a destruição da natureza, a evolução e ampliação da cultura negativa, a redução ou adaptação da ética a valores subjetivos e situacionais, a falta de respeito, a ampliação estarrecedora da corrupção, a discordância arrasadora entre o falar e o agir, a violência generalizada, a disseminação funesta e incontrolável das drogas, a proliferação apavorante do lixo, as prisões como escolas de especialização do crime, a depreciação de valores transcendentes, a ridiculização do amor, da partilha, da compaixão, do perdão, da honestidade, a banalização das emoções, das potencialidades, do analfabetismo, da vida, do sofrimento, do crime, dos desastres, do endeusamento da competitividade, do dinheiro, do consumo, etc.

A escravidão tem suas remotas raízes, vivenciadas com sofisticação, entre os povos. O poderio bélico, a carência de humanização, o egoísmo, a ânsia por riquezas, etc. propagam a miséria, as doenças, o desespero, a submissão irracional, a incapacidade de evoluir, etc.

O panorama apresenta-se desolador e preocupante. Os cientistas prenunciam futuro sombrio para a sobrevivência humana.

Na Antártica, um bloco de gelo com dimensões da cidade de Porto Alegre, precipitou-se ao mar.

Entidades internacionais construíram a "arca de Noé", monumento resistente à "invasão de bárbaros" para a preservação de sementes. Será a antevisão de calamidades?. A Embrapa, anunciam, construiu algo semelhante, no Brasil.

Se não houver mudanças radicais, a catástrofe parece inevitável. A problemática torna-se crítica, porque existe certo temor de publicar fatos para não magoar responsáveis. Pode haver prejuízos financeiros e transtornos mentais.

A educação vertical caminha célere para o desequilíbrio generalizado. Os paradigmas externos desafiam propostas de libertação da escravidão.

A educação horizontal é o modelo comprovado que fomentará e aperfeiçoará as mudanças para a salvação da natureza e da humanidade. Sua força e dinamismos residem, principalmente, nos paradigmas internos. Atua, promovendo a harmonia na convivência do respeito entre os humanos, na adoção e implantação dos estímulos positivos, na valorização dos acertos, no fomento à criação de equipes, na formação de um cidadão solidário, na ampliação do amor oblativo, no desenvolvimento das potencialidades, na implantação da cultura positiva, na harmonização familiar, na promoção da convivência evolutiva da comunidade, etc.

Se você está ciente e consciente da realidade periclitante que nos aflige, enfrente os desafios das mudanças do sistema educacional vigente. Crie novas modalidades de participar e de servir. Aguardamos sua presença. Você pode encantar, com seu dinamismo encantador aos desencantados com as incoerências que desencantam, e promover encantos pela natureza, que ainda pode encantar.