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Desafios da educação (Artigo)
Data: 05/02/2008
Veículo: JORNAL DO BRASIL - RJ
Editoria: PAÍS
Assunto principal: OUTROS
Antônio Luiz Bianchessi filósofo, educador, consultor e escritor

Já denunciamos a falência da Educação Vertical como sistema adequado para formar cidadãos autênticos, conscientes, éticos e convictos de suas responsabilidades. A cultura da verticalidade educacional estabelece e determina "rombos", às vezes, intransponíveis na convivência humana. Na prática, a decadência do relacionamento primário acarreta conseqüências graves e distanciamento das pessoas.

A verticalidade educacional sustenta-se na incapacidade humana para enfrentar a realidade da violência que nos aflige. O sistema oprime.

Assistimos à degradação da moral e da ética, que solapa os alicerces básicos da possível convivência humanizada e harmoniosa. Presenciamos sofrimentos atrozes com o extermínio de tantos inocentes. Estacionamos na evolução e proclamamos a involução com a exaltação de vilões das novelas. Aplaudimos os "vencedores" como "valores" que norteiam a educação dos humanos.

Testemunhamos a covardia em prol da manutenção da dependência irracional. Com o silêncio "respeitoso", acatamos desastrosas decisões.

Na Educação Vertical determinamos normas e valores específicos para cada educando. Atendemos à ânsia de poder, com reforço da superioridade fantasiosa.

Testemunhamos, também, a força da verticalidade no fomento do desequilíbrio emocional. O dinamismo reside nos condicionamentos negativos, oriundos de paradigmas externos.

O autoritarismo molda personalidades. Atinge, sobretudo, o campo emocional e intelectual. O machismo desqualifica, com atitudes agressivas e impositivas, comportamentos dos educandos que possam expressar emoções.

Denominamos tais procedimentos de "domesticação emocional". Adaptamos o educando a determinações específicas para a manutenção do status quo.

Até recentemente, na seleção de candidatos a emprego, eliminávamos a inteligência emocional. A noção de emocionalidade envolvia características específicas do sexo feminino. A exaltação da inteligência endeusava o QI l40. O jogo do poder manipulava estratégias da validade do sistema de favorecimento da Inteligência Abstrata.

O homem deve orgulhar-se por ser macho. Emoções e sentimentos desqualificam a grandeza e a superioridade na composição e condução da espécie.

Tornamo-nos exigentes e intransigentes. A capacidade de raciocínio lógico edifica um pedestal fantasioso de superioridade, onde nos colocamos como senhores e dominadores de tecnologia sofisticada para revolucionar o universo.

A invasão do Espaço Vital Emocional do educando apresenta-se viável e poderosa para a obtenção de resultados machistas.

Os pais programam avanços no campo educacional. A sensibilidade e a intuição transparecem nas atitudes da criança. O sorriso é cativante. Talvez seja o espaço mais permeável às invasões emocionais.

A banalização de fatos doloridos e sofridos violenta as emoções e os sentimentos do ser humano. O campo torna-se vulnerável, aberto e amplo para a adaptação aos propósitos do poder. A insensibilidade seria característica soberana de conduta em todos os campos da convivência humana.

Tornou-se atuação pedagógica, tacitamente conveniada, ridicularizar a criança (menino) quando demonstra suas emoções. Tal procedimento incapacita o educando para expressar "o que sente".

A invasão do Espaço Vital Emocional do educando possibilita a desqualificação de determinadas emoções, que interessam à manutenção do machismo. Parece rotineira a técnica que decreta, categoricamente, "homem não chora" e "homem não tem medo".

As mensagens recebidas, na prática, invalidam esforços para harmonizar a convivência humana, como: seja arrogante e macho, sinta-se superior e o melhor de todos, desqualifique os outros etc, são determinações assumidas por muitos educandos. Seu lema social "vou livrar-me das pessoas" simboliza a arrogância do machista.

Experiências frustrantes podem contribuir para a humanização do arrogante. A humildade integra as mudanças que desqualificam o pedestal fantasioso. A evolução psicológica e emocional aproxima o machista do lema social "ir com as pessoas". Será o início da cura.

A Educação Vertical pode contaminar, negativamente, a estrutura psicológica e emocional do educando. As conseqüências são sérias. As patologias tendem a evoluir.

O extremismo da imposição determina o grau de violência que será vivenciado pelo futuro cidadão. A imposição de adestramento emocional implementa comportamentos e posturas artificiais.

Na convivência humana assumimos atitudes agregadas a ressentimentos, rivalidades, sadismo, agressividade, triunfo maligno, inveja, ciúme etc.

Existem técnicas que abrandam o desequilíbrio emocional imposto pelas mensagens negativas. A alfabetização emocional caracteriza-se pelo poder de reformulação da convivência violenta e desumana.

A libertação da opressão das mensagens proibitivas e bloqueadoras da emocionalidade humana permite a conquista de autenticidade das emoções.