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Data: 31/07/2010 Veículo: O GLOBO Editoria: RIO
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Levantamento do Rio Como Vamos mostra que baixa escolaridade atrapalha a entrada no mercado de trabalho Vítor Augusto da Silva, de 24 anos, é morador da Gamboa, na Zona Portuária do Rio, e estava matriculado no segundo ano do ensino médio. Mas ele largou a escola, no ano passado, para trabalhar como servente de pedreiro. Terminado o serviço, agora busca nova ocupação, mas quase todos os anúncios de emprego exigem pelo menos o ensino médio completo. Vítor não é um caso isolado nas estatísticas de educação: só em 2009, cerca de 36 mil alunos (18,07% do total de matriculados) abandonaram as escolas da rede estadual localizadas no município do Rio, como revela um levantamento do Rio Como Vamos, com base em dados preliminares do último Censo Escolar do MEC. No mesmo ano, apenas 12.187 jovens com até 24 anos e sem a educação média concluída foram contratados para o primeiro emprego formal na cidade, segundo o Ministério do Trabalho.
- Ter o ensino médio completo não é garantia de se conseguir um bom emprego. Mas não ter é certeza de não conseguir - alerta o economista André Urani, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS) e conselheiro do Rio Como Vamos.
Problemas do ensino médio precisam ser corrigidos A pesquisa nacional "Você no mercado de trabalho", feita em 2008 pelo Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV), comprova a importância da educação formal completa. Os dados mostram que a empregabilidade aumenta de 68%, para quem largou os estudos, até 78%, para aqueles com o ensino médio concluído. E a média salarial pula de R$ 700 para R$ 1.600. Outra pesquisa da instituição, focada na educação profissional e divulgada mês passado, aponta um acréscimo de 14% sobre os vencimentos de quem, além da educação média, tem um curso profissionalizante. Os dois trabalhos foram coordenados pelo economista Marcelo Néri, chefe do CPS/FGV.
A disparidade entre o número de jovens que abandonaram os estudos em 2009 e o de absorvidos pelo mercado de trabalho formal no ano passado tem sido recorrente na cidade.
Em 2008, 40.177 alunos (19,23% do total de matriculados) deixaram as salas de aula. Naquele ano, 14.290 jovens até 24 anos sem os estudos concluídos conseguiram o primeiro emprego com carteira assinada. Num momento em que o Rio vive a expectativa de abertura de mais de cem mil vagas ligadas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016, a situação dos jovens que desistem dos estudos preocupa a presidente executiva do Rio Como Vamos, Rosiska Darcy de Oliveira: - O problema do ensino médio público não surgiu agora, mas tem que ser resolvido já.
Abre-se para o Rio uma década de ouro, mas há o risco de um apagão de mão de obra. Não é justo que os jovens percam essa oportunidade por terem sua formação interrompida. O problema da educação tem que ser atacado com a mesma urgência que levou ao sucesso da política de segurança.
A preocupação é compartilhada pelo secretário municipal do Trabalho e Emprego, Augusto Ribeiro. Ele ressalta a importância de um sistema educacional que mantenha os alunos na escola. Caso contrário, teme que os jovens cariocas não estejam habilitados, especialmente em setoreschaves para as Olimpíadas, como turismo e eventos: - Tem gente que busca curso profissionalizante pensando que pode substituir o ensino médio, mas só a qualificação não basta. A educação formal é imprescindível.
Além da evasão, outra questão apontada pelo RCV, por igualmente restringir a inserção dos jovens no mercado de trabalho, refere-se à qualidade do ensino. Divulgados neste mês, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ambos referentes a 2009, refletem em números essa preocupação. No Ideb, o resultado aferido do ensino médio público para o estado ficou em 2,8, abaixo da meta projetada para o ano (2,9). Já no Enem, 49 das 50 escolas localizadas na capital com as piores notas são públicas. Entre as 50 com melhor desempenho, apenas uma é da rede estadual.
Curso profissionalizante oferece aula de reforço O reflexo da qualidade do ensino médio público é percebido nos cursos profissionalizantes oferecidos pela Secretaria municipal do Trabalho.
Segundo o secretário Augusto Ribeiro, na primeira turma do curso de telemarketing, oferecido a 1.500 jovens (500 já com emprego garantido), foi observada a deficiência dos alunos em relação a disciplinas da educação formal. A solução foi oferecer aulas de reforço.
Subsecretária estadual de Gestão da Rede e do Ensino, Teca Pontual diz que o governo tem políticas de longo prazo para ajustar, por exemplo, os indicadores de reprovação, distorção idade-série e evasão, além de aumentar a nota do Enem. Entre as estratégias, estão o Plano Setorial de Qualificação de Educação e Tecnologia da Informação, parceria da Secretaria de Educação com o Ministério do Trabalho firmada mês passado (que levará curso profissionalizante a sete mil alunos matriculados na rede estadual), e o projeto Autonomia (de aceleração do ensino para alunos em série atrasada).
Para melhorar a média do Enem, está sendo oferecido um programa de reforço para os estudantes e haverá premiação para os que tiverem os melhores desempenhos.
RCV monitora 13 áreas O Rio Como Vamos monitora os indicadores de qualidade da cidade e acompanha o desempenho da administração pública em 13 áreas fundamentais para a sociedade: saúde; transporte; educação; segurança pública e violência; pobreza e desigualdade social; meio ambiente; lazer e esporte; habitação e saneamento básico; inclusão digital; trabalho, emprego e renda; cultura; vereadores; e orçamento.
Os resultados são divulgados mensalmente pelo GLOBO e pelo site do jornal.
O RCV é apartidário e tem o apoio de Fecomércio, Firjan, Associação Comercial, Synergos, Observatório de Favelas, Iser, Cedaps, CDI, Idac, Ethos, Banco Real, Iets, Santander, Grupo Libra, Unicef e Fundação Avina, Light, Metrô Rio e UTE Norte Fluminense. Nos últimos meses, o RCV analisou, entre outros temas, o índice de crimes violentos na cidade, o lixo urbano, a expansão das favelas, a violência doméstica contra a mulher, os rumos da educação, a realidade da Zona Portuária, o mercado de trabalho brasileiro e o projeto do Plano Diretor de Drenagem Urbana, previsto desde 1992, que está 18 anos atrasado.
No mês passado, o RCV mostrou que o carioca continua jogando lixo nas ruas da cidade. |